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Coisas que só acontecem no Nordeste

No Tocantins, conheci um cearense do tipo amável, bem humorado, mas bravo que só…Esse moço contou uma história que deixou seus interlocutores de cabelo em pé. Certo dia, ele estava viajando de moto, com um conhecido na carona, quando viu um carro enguiçado na beira da estrada, ao lado de uma barraca de bebidas. O motorista se esforçava para tentar consertar o motor.

O cearense em questão parou para ajudar e começou a mexer no motor, já que ele tem uma oficina mecânica e entende de carros como ninguém. Enquanto isso, o carona aproveitava para beber alguma coisa na barraquinha ao lado. Segundo ele, quando estava de cabeça baixa, olhando para o motor do carro, o “cabra” sacou um facão e deu-lhe uma pancada tão forte na cabeça que ele teve traumatismo craniano. Antes de despencar no chão, o narrador da história ainda teve tempo de sacar uma pistola e disparar dois tiros. O agressor conseguiu fugir e a vítima ainda subiu na moto e dirigiu até o posto de saúde mais próximo, quase 100km do local.

O motivo da agressão não poderia ser mais absurdo. O dono do carro enguiçado queria acertar contas com o carona do nosso amigo cearense, mas o dono da barra de bebidas disse que ele só conseguira acertar o alvo se matasse o cearense primeiro, já que ele era violento e poderia impedir o crime. Ou seja, o cearense teve a cabeça rachada só para facilitar o atentado contra uma outra pessoa. Porém, o tiro saiu pela culatra, literalmente!

O cearense não só sobreviveu, como ressurgiu do trauma com uma raiva latente contra o seu agressor. Ele busca o “cabra da peste” por todo o Nordeste e já disse que “até mesmo se Jesus Cristo voltasse à terra e pedisse que ele perdoasse o rapaz, ele não faria isso”.  O alvo sumiu do mapa, mas o cearense é paciente… Apesar disso, ele diz que é espírita kardecista e frequenta um centro espírita semanalmente. Depois de muita conversa, ele topou pelo menos repensar sua posição, já que nada poderia ser mais contraditório! Esse é o típico estereótipo do comportamento do nordestino – do homem que não procura briga, mas – se provocado – adere ao ditado “olho por olho, dente por dente”. Se pelo menos desta vez ele decidir não revidar, o ciclo de violência poderá ser interrompido.