2005: o ano do Pânico e de Rodrigo Scarpa na TV

Publicada em 02/01/2006 no Click 21

reporter vesgoPor Cristina Cople

RIO DE JANEIRO (Da Redação Click 21), 2 de janeiro – Ele diz que é um jovem tímido, mas, aos 25 anos, Rodrigo Scarpa chama atenção aonde vai. Rodrigo interpreta o ‘Repórter Vesgo’ ao lado de ‘Silvio’, personagem de Wellington Muniz, no programa Pânico, da Rede TV.  Em 2005, ele protagonizou algumas das situações mais polêmicas da televisão brasileira. Só para relembrar alguns desses momentos, Rodrigo foi vítima da agressão do cantor Netinho e foi parar na delegacia por tentar entrevistar a atriz Carolina Dieckman no prédio dela, no Rio de Janeiro. Ele provoca, mas diz que é parte do trabalho. E o trabalho em questão faz cada vez mais sucesso na TV brasileira.

Mas não se engane. Ele não tem qualquer tipo de afetação com o sucesso e conta que a amizade com o colega da dupla só cresceu depois que começaram a conviver quase que diariamente.

“Quando se trabalha em dupla é muito importante ter amizade e não competir. Não há guerra de ego e vaidade”, diz Rodrigo Scarpa.

Rodrigo conheceu Wellington, também chamado de ‘Ceará’, quando começou a estagiar na rádio Jovem Pan, mas a cumplicidade só aconteceu algum tempo depois.

“Um ajuda o outro, dá toques. Existe uma cooperação e afinidade muito grandes. Fora do trabalho nós saímos juntos com as namoradas. Vários grupos acabam porque existe vaidade e guerra, por isso a gente conversa muito”. A receita tem dado certo. A dupla completou dois anos no ar, com matérias exibidas todas as semanas. Os números da audiência também sobem a cada aparição dos humoristas e já superou o programa do Gugu, do SBT. O ator José Mayer, da TV Globo, chegou a comentar que Vesgo e Silvio são “insuportavelmente talentosos”.

Quando pergunto se Rodrigo teme que a exposição pública de seu trabalho possa atrapalhar o futuro da carreira, ele se surpreende.

“Não”, responde Rodrigo, “o Vesgo é um personagem que dá audiência e a galera gosta. Tem identificação com os jovens. É novo, irreverente. Isso até ajuda a me projetar e faz as pessoas prestarem atenção no meu trabalho”, afirma.

UM POUCO DA HISTÓRIA DO PÂNICO

Rodrigo Scarpa se formou na faculdade de Rádio e TV, da Universidade Metodista de São Paulo. Estreou na TV junto com o Pânico, em setembro de 2003. Ele ajudou a criar pilotos de esquetes e deu vida a um repórter-estagiário. Mas queria um personagem ainda mais transgressor. Foi improvisando e daí nasceu o repórter Vesgo. “Nada foi programado”, diz Rodrigo.

“No início, os artistas não conheciam o programa e a gente tinha que procurar, ir atrás. Comecei a puxar o microfone para perguntar coisas que todo mundo queria saber. Mas, para isso, temos que ler muito sobre os artistas e criar coragem para fazer perguntas engraçadas. Nós não seguimos os padrões tradicionais”.

A palavra que melhor define a dupla é realmente a irreverência. E, para isso, vale qualquer coisa. Até pegar um avião para a França só para ficar na porta do Castelo de Chantilly, a 45 minutos da capital francesa, para tentar acompanhar o casamento de Daniela Cicarelli e Ronaldo. O acesso foi proibido para toda a imprensa, mas eles estavam lá. Rodrigo e Wellington viajaram com pouco dinheiro e se hospedaram em um albergue. “Essa foi a minha primeira viagem para a Europa e não tinha ninguém da imprensa brasileira no local”. O grande momento do ano foi quando a dupla conseguiu se aproximar do apresentador Silvio Santos para gravar o quadro “Autoriza Silvio”. Eles precisavam da autorização dele para realizar a imitação na TV. Avesso a entrevistas, Silvio Santos não só atendeu aos dois, como deu a autorização tão desejada.

COM A PALAVRA, O VESGO

“Eu sou fã do Silvio”, afirma Rodrigo Scarpa. “Ele é uma inspiração como apresentador e um modelo de perseverança, de homem que deu certo. Ele foi bacana com a gente e a maioria dos artistas deveria se portar assim”. A alfinetada tem endereço certo. Rodrigo Scarpa se refere ao cantor Netinho, que protagonizou a cena de violência mais divulgada no meio artístico. Netinho deu um soco em Rodrigo durante a entrega do prêmio Raça Negra, em São Paulo, que também marcou a inauguração da TV da Gente, canal UHF destinado ao público negro. O motivo teria sido a pergunta de duplo sentido: “E aí, Netinho, quer dizer que você vai abrir seu canal pra todo mundo?”.

Scarpa registrou um B.O. no 36º DP (Paraíso) e fez exame de corpo de delito no IML.

“Todo mundo ficou chocado com o caso do Netinho. Nem ele soube explicar. Só ouvi comentários da imprensa. É uma coisa tão pequena. O Vesgo é um personagem bem humorado, brincalhão, de paz, alegria e humor. O humor sempre vai vencer a violência.

Mas ninguém é obrigado a encarar agressão num momento de trabalho. Está fora da lei. Quando se está trabalhando, o mínimo que se exige é o respeito pelo nosso trabalho. Se a pessoa não gosta dá as costas e vai embora”, afirma Rodrigo.

O intérprete do repórter Vesgo diz que ainda há muita gente que confunde o personagem com o profissional.  Há algumas semanas, o humorista esteve no casamento do ator Henri Castelli e da modelo Isabelli Fontana, no Forte São Sebastião, no Rio de Janeiro. Ele estava acompanhado da namorada, a modelo Bárbara Pettigliani, e ouviu comentários de outros convidados que diziam: “Finalmente o Vesgo entrou em uma festa”. Mas Rodrigo enfatiza que não era o personagem que estava na festa e sim a “pessoa física”.

No caso Netinho, a explicação é a mesma. “Ele agrediu a pessoa e é bom saber que há o ‘Vesgo’ e o ‘Rodrigo’. O Rodrigo é até um pouco tímido às vezes. Estou ali de cara limpa fazendo o meu trabalho. É como um personagem de novela. Eu tenho que trabalhar com tranqüilidade. Como pessoa eu perdôo ele, mas como cidadão você não pode deixar que a violência continue. A gente levantou a bandeira da paz pra que haja um basta. Basta de violência. Quando aconteceu a agressão pela segunda vez (a primeira foi com Victor Fasano) vi que não poderia ter acontecido de novo. O número de pessoas que faz isso é irrisório em relação a todas que a gente já entrevistou”.

E de acordo com Rodrigo, o ingrediente principal para o humor é a disponibilidade do entrevistado. “Qualquer entrevista fica mais legal quando o entrevistado é bem humorado”, diz ele.

Os ídolos de Rodrigo Scarpa são aqueles que mais se divertem com as piadas de Vesgo e Silvio: o apresentador Silvio Santos, Suzana Vieira e Glória Maria. “A Suzana é nossa madrinha profissional, um exemplo de humildade e humor. A Suzana é top”, define.

SANDÁLIAS E PIADAS

Outro episódio polêmico foi quando Vesgo e Silvio tentaram fazer a atriz Carolina Dieckmann calçar as “Sandálias da Humildade”, em frente ao prédio dela, no Rio de Janeiro.

De acordo com Rodrigo Scarpa, ele e Wellington Muniz estavam em um tipo de carrinho utilizado para a troca de luz em postes, que sobe à altura equivalente ao terceiro andar de um prédio, gritando o nome de Carolina. A atriz, que mora no 14º andar, deu queixa na Delegacia do Menor acusando a dupla de constranger o filho dela, Davi Dieckmann. A Juíza Renata Rangel liberou Rodrigo e Wellington, convidados a depor, após assistir as fitas e constatar que não havia imagem da criança gravada.

Momentos positivos do trabalho de Vesgo e Silvio são, segundo Rodrigo, pouco divulgados. Por exemplo, a dupla fez campanha para arrecadar recursos para o Retiro dos Artistas e se aliou ao Greenpeace para denunciar o desmatamento.

Para criar as piadas, Vesgo e Silvio contam com a ajuda dos espectadores. Já a emissora oferece possibilidades ilimitadas de criação para a equipe do Pânico.

“Quando recebemos a proposta do SBT ficamos balançados, mas preferimos a liberdade total. Nós temos autocrítica para saber até onde ir, mas a Rede TV nunca interferiu dentro do Pânico”, sustenta Rodrigo.

PLANOS

Rodrigo Scarpa sonha com um futuro de estrela de primeira linha. O humorista gosta de fazer as pessoas se divertirem, mas quer mesmo ser apresentador. O estilo do programa  que gostaria de ter ele não decidiu ainda. Outra possibilidade é se tornar um dublador profissional. Quando era criança, brincava de dublar novelas mexicanas. Agora, este sonho começa a se realizar, já que o elenco do Pânico vai dublar o filme “A Terra Encantada de Gaia”.

Ao fazer um balanço de 2005, Rodrigo Scarpa reconhece a importância das conquistas que fez sem tirar o pé do chão.

“Este ano foi tão importante porque todo mundo começou a entender a gente. Foi um estouro de audiência absurdo! O Pânico aconteceu. A meta era continuar no ar e já fizemos dois anos. Para isso é preciso pensar em coisas novas, o que é muito difícil!

Sou novo ainda, sei que tive acertos e erros, mas também sou humilde para ver o que foi errado e adquirir mais conhecimento para no futuro ser alguém”.

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