Vencido o desafio do Vestibular, alunos encaram temido trote

Publicada em 11/10/2007 no Click 21

Por Cristina Cople

Passar no vestibular é um desafio para a maioria dos alunos brasileiros, mas, depois da vitória, outra etapa tem que ser vencida. A entrada na universidade inclui o famoso trote, realizado pelos veteranos para recepcionar os calouros.

Competições, pinturas pelo corpo e brincadeiras eróticas estão na lista dos momentos que podem gerar risos, mas também constrangimento, aos novos estudantes. Porém, a origem do trote foi bem diferente. Era apenas uma forma de integrar os alunos.

O vestibulando carioca José Henrique Calazans de Souza acredita na proposta de socialização do trote. “Procuro não pensar muito no trote agora; acho que vou me preocupar mais quando eu já tiver passado no vestibular. O trote é uma forma interessante de fazer os novos alunos se ‘enturmarem’ com os veteranos. Além disso, o dinheiro arrecadado serve para ajudar nas ‘chopadas’ (festas estudantil regada a muito chopp)”.

“A maioria dos trotes pelos quais meus amigos passaram na faculdade foi de interação com os veteranos – o trote em que se arrecada fundos para uma festa. Esse tipo de trote eu acho que é bom. Também sou a favor do trote consciente, sem brutalidade, e, acima de tudo, que seja um evento assistido pelas instituições de ensino”, confirma a estudante paulistana Daniella Carol.

CRIME NO CAMPUSPor causa dos abusos, foi promulgada a lei Nº 10.454, de 20 de dezembro de 1999, do deputado Faria Júnior, do PMDB, que proíbe o trote que possa colocar em risco a saúde e a integridade física dos calouros das escolas superiores. Mesmo assim, casos de violência são comuns pelo país.

 

A Comissão de Ouvidoria do vestibular da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), criada para evitar violência na recepção dos novos alunos, está investigando um vídeo postado (e já retirado) no Youtube, que mostra excessos no trote dos alunos de medicina veterinária.

Os alunos aparecem rolando na lama, num terreno tomado pelo mato, ensopados de farinha e outros produtos não identificados. Moças e rapazes, enlameados, rolam uns sobre os outros, sob a ameaça de varas de madeira. Eles também aparecem sendo obrigados a beber um líquido que parece ser cachaça, direto da garrafa. Em outro trecho, os alunos são obrigados a fazer uma espécie de gargarejo com um líquido que passa de boca em boca, cuspindo de volta num recipiente. Os estudantes sentem ânsia de vômito.

O vídeo postado em abril seria referente ao trote realizado na turma que entrou em fevereiro no curso. O regimento interno da UFMS prevê a expulsão de alunos, em casos de trote violento. Eles também podem ser alvos de investigação criminal.

É importante destacar que em casos de trotes violentos, os alunos podem denunciar as agressões à Comissão de Vestibular da universidade.

BOA IDÉIAA Universidade Federal Fluminense (UFF) ganhou o Prêmio Trote da Cidadania 2007 pelo projeto Trote Cultural, criado há seis anos. Os alunos do curso de produção cultural, por exemplo, que entraram na faculdade em agosto, participaram do ‘trote limpo’, que consistia em realizar uma limpeza na praia das Flexas, no Ingá. O objetivo era mostrar à população como é importante preservar o meio ambiente.

 

A paulista Daniella Carol ainda não participou do trote, mas apóia a brincadeira. “As pessoas passam a se conhecer e a conviver fora da sala de aula. Os alunos que estudam em uma faculdade onde não há esse evento demoram muito mais tempo para se adaptar e fazer novas amizades. O ambiente da sala de aula não é propício para se fazer novos amigos e brincando isso se torna muito mais fácil e divertido”, diz Daniella.

Outra idéia bem sucedida vem de fora. A Universidade de Westminster, em Londres, realiza um trabalho de socialização diferente. Os alunos novos são convidados a assistir uma palestra em que bombeiros explicam como é o funcionamento do prédio, mostra a localização de saídas de emergência em caso de fogo e ensina a diferença entre os extintores de incêndio.

“Vários amigos me contaram como foram as experiências deles. Alguns trotes me pareceram brincadeiras inofensivas, outros são situações humilhantes. Uma tendência que parece ter crescido ultimamente são os ‘trotes sociais’ e torço para que o meu seja deste último tipo e, que, além disso, ele me ajude a fazer novos amigos”, diz José Henrique Calazans de Souza.

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