Usuário de drogas em ‘Tropa de Elite’, ator diz que jovem é culpado

Publicada em 27/09/2007 no Click 21

Por Cristina Cople

thiago mendonca intThiago Mendonça fez apenas uma cena no filme ‘Tropa de Elite’, mas impressiona pela dramaticidade que empresta a um jovem usuário de maconha. O garoto de classe média vai a uma boca de fumo comprar a droga quando é surpreendido pela polícia. Revoltado, o capitão Nascimento, personagem de Wagner Moura, agride o rapaz de forma brutal e diz que ele é o responsável pelo tráfico de entorpecentes.

“Ele é apenas uma pequena engrenagem desse sistema que gera o tráfico e a violência. É culpado sim, mas não é o único. A responsabilidade maior está nas mãos de quem tem o poder para fazer alguma coisa e não faz”, diz Thiago.

O ator Michel Blois, outro garoto classe media no filme, destaca um aspecto importante sobre os jovens. “Essa galera zona sul acha que política não serve para nada. O policial Matias (André Ramiro) é estudante e amigo de outro aluno da PUC, que vende maconha, e por isso não pode prender o amigo. Os jovens são protegidos porque são ricos. O filme é legal porque contrasta o fato de que esses jovens fazem tudo errado – sobem morro, fumam maconha, bebem – e depois montam uma ONG”.

Na vida real, Thiago Mendonça acha que o assunto deve ser debatido pela sociedade. “A questão da droga merece estudo e uma preocupação maior. Acho que a maconha deveria ser descriminalizada, mas não na situação em que a gente vive. O poder público deveria fazer um estudo do funcionamento do tráfico e da polícia. Dessa forma, o cara que comprasse maconha ia ser identificado e o governo receberia os impostos”, sugere Thiago.

‘Tropa de Elite’ foi o segundo filme de Thiago Mendonça, que viveu o cantor Luciano em ‘Dois Filhos de Francisco’. A participação foi praticamente um presente. O ator participou de uma oficina com a preparadora Fátima Toledo, mas não foi selecionado para o elenco. Depois que o filme já estava sendo rodado, surgiu o convite.

“O que eu mais gosto em Tropa de Elite foi a forma como ele foi filmado. Várias cenas foram rodadas em comunidades do Rio. O realismo é tão grande que parece um documentário”, diz.

Michel Blois gostou da possibilidade de improvisar. “Nós ensaiamos bastante, mas não tínhamos roteiro. O diretor passava o roteiro só na hora de filmagem e a gente era livre para improvisar. Isso fez com que as cenas ficassem com a nossa cara”, conta o ator.

Muita gente viu a cópia pirata e não se acanha em comentar a cena com Thiago Mendonça. “As pessoas ficam com pena de mim, de tão violenta que a cena é”, diz o ator. “Quando estava rodando, minha maior preocupação era fazer (a cena) direito. Adorei contracenar com o Wagner Moura. A cena é marcante por ser forte e polêmica”.

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