Traidor bíblico, Judas ganha nova ‘roupagem’ nos tempos modernos

Publicada em 05/04/2007 no Click 21

lucas-lionelloO ator Luca Lionello interpreta Judas no polêmico filme de Mel Gibson ‘A Paixão de Cristo’

Por Cristina Cople 

 Os cristãos têm o costume de colocar o nome dos apóstolos de Jesus em seus filhos. Todo mundo conhece inúmeros Mateus, Marcos, Lucas e João. Mas você conhece alguém que se chame Judas?   

O apóstolo tornou-se sinônimo de traição. Até São Judas Tadeu, outro apóstolo, foi prejudicado com a má fama. Quem não conhece o santo das causas impossíveis acaba pensando que os dois foram a mesma pessoa.

Neste Sábado de Aleluia a idéia é falar de Judas – bem ou mal (à sua escolha) – como alguém fundamental na história do Cristianismo. Judas de Kariot (Kerioth, ou Iscariotes, derivado do hebraico Ish Kerioth: Homem de Kerioth, cidade ao sul de Judá), é retratado nos evangelhos como alguém que tinha dificuldades de relacionamento com os outros apóstolos, ambicioso e desonesto. Era ele quem cuidava das finanças do grupo que seguia Jesus. Ele teria demonstrado sua fraqueza na cena da unção com óleo perfumado em Betânia, onde testemunhou que estava mais apegado ao dinheiro do que propriamente aos gestos concretos com que Jesus demonstrava a sua missão (João 12, 1-6).

Vencido pela ambição ou desejo político de ver a região da Palestina livre da dominação romana, Judas aceitou 30 moedas de prata (Mateus 26, 15; 27,3) para mostrar aos soldados de Herodes quem era o ‘salvador’. Depois do martírio e da morte de Jesus, o delator se arrependeu, mas nem neste momento pediu perdão a Deus, e se enforcou em um galho de árvore.

Milhares de anos depois, mais precisamente na década de 1970, cientistas encontraram, no Egito, 62 folhas de papiro escritas no dialeto copta com o que pode ser o Evangelho Segundo Judas. Pesquisadores da Universidade de Genebra, na Suíça, dedicam-se a esse trabalho no momento. Embora o texto ainda não tenha sido completamente traduzido, os cristãos de todas as vertentes alimentam a curiosidade sobre o que ele poderia revelar de novo sobre a vida e a morte de Cristo. Algumas pessoas acreditam até que uma nova interpretação seria a de que Judas seria um amigo fiel a Jesus e que o teria traído para fazer cumprir a profecia de sua morte.

CURIOSIDADES

♦      De acordo com a Igreja, a ‘malhação do Judas’ é um costume popular, não tem qualquer base religiosa. Se baseia na história do personagem bíblico para exercer o desejo público de destruir aquele que deve ser exposto, criticado e malhado.

♦      A expressão beijo de Judas se transformou no símbolo da amizade falsa e da hipocrisia.

Quer entrar no clima da Semana Santa? Veja os filmes:

A Última Tentação de Cristo (1988)
Rei dos Reis (1961)
Paixão de Cristo (2004)

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