Namoro no trabalho gera debate entre funcionários e empresas

Publicada em 31/05/2007 no Click 21

 Por Cristina Cople 

Fábio Júnior amava Guilhermina, que amava José Wilker, que amava o cinema, que amava a beleza de Guilhermina… Incapaz de resistir à proximidade profissional, Guilhermina se entregou a uma nova paixão, desta vez pelo ator Murilo Benício, seu parceiro no filme ‘Inesquecível’.

Parafraseando a ‘Quadrilha’, de Carlos Drummond de Andrade, recordamos como é comum o relacionamento entre personalidades do meio artístico. A falta de tempo para eventos sociais e a cumplicidade do trabalho ajudam a despertar o interesse.

Mas nem sempre o amor no ambiente de trabalho é tranqüilo. A paulistana Luciana Alves teve duas experiências traumáticas. A estudante começou a trabalhar no departamento de telemarketing de um grande banco quando conheceu o supervisor, que ela prefere chamar apenas de Rogério. Ela não respondia diretamente às suas ordens, mas tinha que dividir o mesmo espaço de trabalho com subordinados dele. O horário do cafezinho servia para bater papo e conhecer melhor o rapaz. Certo dia, os funcionários do departamento combinaram de sair para um ‘happy hour’. Rogério ofereceu uma carona para Luciana e os dois chegaram mais cedo no restaurante. O clima de azaração levou ao primeiro beijo.

“Nós conversamos muito, sobre todos os assuntos. Daí, veio o garçom e perguntou: ‘posso atrapalhar o casal?’ A gente riu e ficou brincando sobre ele ter usado a palavra ‘casal’. Em seguida, o Rogério me puxou e me beijou”, conta Luciana. Só que, apesar do clima de romance, o namoro não engatou. “O relacionamento atrapalhou muito o trabalho. Quando eu o via conversando com outras mulheres, ficava chateada, e o meu rendimento caía”, diz.

REPETINDO O ‘ERRO’

Quando deu adeus ao banco, Luciana Alves caiu em outra cilada. Apaixonada, a paulistana resolveu abrir uma agência de comunicação com o namorado, identificado como Jean. Entre os funcionários estavam a mãe dele e o irmão dela. Não poderia haver combinação mais explosiva.

“A gente tinha brigas intensas. Um dia, eu estava muito triste porque, logo de manhã, fiquei sabendo que uma amiga tinha morrido assassinada. Passei o dia inteiro cabisbaixa e à tardinha tivemos um problema na empresa. Eu pedi a ele que cuidasse do assunto, já que não estava bem. O Jean reagiu de forma impulsiva, gritou e disse que não estava nem aí para a morte da minha amiga. Disse que eu não ligava para a empresa. Foi horrível. Como eu o amava muito, deixava as coisas erradas acontecerem para não brigar com ele”. Luciana conclui: “Se eu pudesse voltar atrás, não teria montado a empresa”.

PRIVILÉGIOS

A jornalista Lígia Santos, 39 anos, era repórter de um dos jornais populares de maior circulação no Rio quando conheceu Pedro. Não foi amor à primeira vista, mas uma identificação de afinidades. Os dois saíam juntos para fazer reportagens e se divertiam muito. O namoro acabou acontecendo e durou vários anos.

“O lado bom é que ele sempre entendeu meus horários”, diz Lígia. “Em compensação, a gente sofria com as fofocas. Como eu cheguei a ser editora do jornal, cada vez que uma foto do Pedro era publicada as pessoas diziam que era favorecimento. Só que isso não é verdade. As fotos escolhidas eram as melhores do dia”.

O namoro acabou, mas os motivos não estão relacionados à profissão dos dois.

SUCESSO NO AMOR E NA CARREIRA

Monique Santos, 36, jornalista, também começou a se relacionar com um colega, mas o desfecho dessa história foi bem diferente. Monique era estagiária e Marcelo Ribeiro, fotógrafo. Logo que conheceu o rapaz, ela se interessou. Foram apenas duas matérias antes do primeiro beijo.

“No começo, a gente não contou a ninguém. Pouco a pouco, as pessoas foram percebendo que havia um relacionamento porque a gente saía para almoçar e lanchar juntos”. Quando o namoro se tornou público, não houve qualquer pressão por parte da chefia. “Nunca houve fofoca ou inveja de ninguém”, diz Monique. O casal está junto há oito anos e tem uma filha de cinco.

A EMPRESA

Luciana Pompilio, gerente de Desenvolvimento Organizacional da Gestetner, empresa de tecnologia em impressões, diz que o relacionamento amoroso entre funcionários não é bem-vindo. “Pessoalmente, eu não sou favorável. Acho muito difícil separar o pessoal do profissional. Com a minha experiência, já vi isso acontecer várias vezes. Na hora de uma demissão, por exemplo, as pessoas ficam muito abaladas. Ou então, um sofre pelo outro quando há algum problema”, afirma.

A posição contrária à formação de novos casais visa proteger informações confidenciais ou um possível favorecimento. A solução encontrada pela Gestetner é remanejar um dos funcionários.

“A empresa considera conflito de interesses. A solução da demissão é extremista. A gente tenta sempre aproveitar o funcionário em uma outra função”. A ideologia adotada há dois anos pelo Departamento de Recursos Humanos foi amplamente divulgada e agora não causa mais receio. “A gente ouve falar dos namoros, mas nada acontece. O funcionário só avisa ao supervisor quando vai se casar”.

Durante o processo de seleção, o RH evita a contratação de pessoas que tenham parentes na empresa, mas é impossível evitar o envolvimento entre os executivos.

“O ambiente profissional é profissional”, diz Luciana.

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