Jovens quebram tabu e falam sobre uso de drogas nas faculdades

Publicado em 12/10/2007 no Click 21 

fernanda freitasA atriz Fernanda de Freitas interpreta uma universitária viciada em drogas em ‘Tropa de Elite’

Por Cristina Cople 

Tropa de Elite’, que teve sua estréia antecipada no Rio e em São Paulo, chegou às telonas de todo o Brasil nesta sexta-feira. Mas muito antes de pintar nos cinemas, o filme já gerou polêmica: o jovem de classe média é responsável por financiar o tráfico de drogas?

Estudantes da PUC e de outras universidades do Rio de Janeiro entraram na discussão e defenderam seus pontos de vista. Na película de José Padilha, a droga chega à universidade por meio de alunos que sobem o morro para revender nas casinhas onde os alunos tiram xerox.

“A gente sabe que muita gente consome na PUC. Eu nunca vi ninguém vendendo, mas já vi consumindo”, diz Vanessa Amaral, estudante de publicidade na universidade. “O jovem não é o principal culpado, mas parte da culpa ele tem. O dinheiro da droga é aquele que os bandidos vão usar para comprar armas mais potentes. Depois, isso se volta contra a própria população”, diz Vanessa.

A aproximação com o dependente de drogas nem sempre é tranqüila. “Não adianta falar, porque a pessoa nunca aceita. Ela pensa: o que o meu baseado tem a ver com isso? Ela não se toca de que está contribuindo para os criminosos ficarem mais armados”, afirma a estudante.

A estudante de pós-graduação Flávia Leite demorou a tomar consciência de seu papel no esquema do tráfico. Ela já subiu morro para comprar drogas, consumiu ecstasy em raves e até chegou a enviar maconha para a própria casa pelo correio ao visitar a Holanda.

“Sabe aquela historia de oferta e demanda? É por aí. Enquanto consumimos drogas, colaboramos com o tráfico e com toda a problemática que vem com ele.  Infelizmente precisei de um tempo para perceber isso e me envergonho de ter diretamente colaborado com o trafico de drogas, uma vez que se você consome está colaborando”, diz ela. “Acredito que liberalização poderia ser um passo, já que os plantadores não viveriam na ilegalidade e todos pagariam taxas, inclusive os usuários”, diz.

“Durante uma viagem, visitei Cabrobó, no São Francisco, uma região onde se cultiva muita maconha. Para que um lugar como esse não produza maconha é preciso incrementar os projetos sociais já existentes e permitir maior participação das pessoas. O preconceito social é um dos grandes ‘financiadores’ da violência não só no Rio como em todo Brasil”.

Apesar de ainda fumar maconha esporadicamente, Flávia é contra o consumo nas universidades. “Não acho que as pessoas devam fumar onde querem, nem cigarro, nem maconha, nem nada”.

O empresário Fernando (que preferiu não ter o sobrenome divulgado), de 48 anos, sempre deu liberdade para o filho único, de 19 anos. “Quando ele tinha 16, chegou e disse que por não sermos caretas – eu e minha mulher – ia nos contar que tinha experimentado maconha. Eu disse que agora ele tinha que curtir com responsabilidade porque eu prefiro que ele faça uso moderado a que tome quatro doses de whisky e se esborrache de carro”.

Fernando não se preocupa com a venda e consumo de drogas nas universidades. “O filme Tropa de Elite é fiel à realidade e não tem nada de chocante, mas estratificar é muito perigoso. Onde está a pesquisa que diz que o jovem de classe média financia o tráfico? As pessoas são muito refratárias a esse assunto. Ninguém quer falar sobre isso. Atualmente, há uma crise de valores. A possibilidade de o jovem cair ou não no vício depende de uma estrutura familiar. Quando você tem uma boa estrutura familiar, os filhos têm mais maturidade. Eu ainda acredito muito nesse núcleo chamado ‘família’, onde há orientação e diálogo”.

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