Jovens defendem formas alternativas de ‘casamento’

Publicada em 18/05/2007 no Click 21

Por Cristina Cople 

Nada de flores, igreja lotada ou benção do padre. Ou, pelo menos, por enquanto. O número de casais que optam pela união informal cresce a cada dia. Os casamentos na igreja não deixam de interessar aos jovens, eles são apenas adiados. De acordo com a Síntese dos Indicadores Sociais 2005 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com base nos dados da Pnad 2004 (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílio), a média de idade para o primeiro casamento é de 28 anos para os homens e de 25 para as mulheres. Ao se considerar todos os casamentos, a idade média das mulheres sobe para 27 anos e a dos homens salta para 30.

 

Aline Sanromã, 23 anos, mora há três meses com o namorado, Fabiano. Nem por isso o relacionamento – que já dura um ano e nove meses – vai ficar sem uma celebração. O casal sonha em noivar e casar. “Estamos juntando dinheiro para isso. Queremos casar na igreja, com uma festa bacana reunindo nossos amigos e familiares. Pretendemos seguir a tradição”, diz Aline.

 

Aline acredita que a instituição do ‘casamento’ pode funcionar sim, desde que haja investimento emocional. “Eu acho que tudo é positivo no casamento quando ambos entendem que é preciso dedicação. Estar casado é se dedicar diariamente ao outro, com carinho, respeito e amor”. Para Aline, o amor deve ser o principal motivo para a união. “As pessoas ainda se casam apenas por casar, porque de certa forma a sociedade ainda impõe isso”, completa.

 

No caso dela, a pressão foi contrária ao sonho. “Até hoje ouço de vez em quando: ‘Nossa, mas você é muito nova para estar morando junto com alguém’. Acho isso besteira. Não existe idade para amar alguém e querer estar com ela todos os dias, construir uma vida juntos. Confesso que ainda acredito nesse mundo cor de rosa”, diz Aline Sanromã.
 
E AS BRIGAS?

 

Carolina Vasconcellos Rodrigues, 27 anos, namora há dois meses e diz que já pensa em se casar, mas ela sabe que a convivência também pode gerar conflitos. “Gostaria de ter um companheiro pra dividir todos os momentos da minha vida. Você aprende a dividir as contas, o seu espaço, a dar e receber. O ponto negativo é perder um pouco da privacidade. Quando há briga, tem que aturar a pessoa mesmo assim”.

 

Para conhecer melhor as qualidades e defeitos de cada um, Carolina e o namorado preferem esperar pelo menos mais três anos. “Não acho que voltou a moda do casamento não, pelo contrário, vejo que muitas pessoas pensam muito bem antes de casar, pensam na questão financeira primeiro. Meu casamento, dependendo da condição financeira dos dois, pode ser bem simples: uma cerimônia civil e depois uma festa no mesmo local, sem grandes luxos”.

 

A estudante Julia Ferrari, 22 anos, mantém os pés bem firmes no chão. Julia rejeita a idéia de fazer uma festa grandiosa caso venha a se casar. Filha de pais separados, Julia faz questão de dizer que o casamento dos pais não influenciou na decisão. “Quando eu era criança pensava em casar com 25, hoje nem sei se quero mais. Acho que morar junto pode ser melhor. Tem que passar pela prova de fogo”, diz a carioca. “Acho que hoje em dia as pessoas nem se casam, elas moram juntas. Mas, a grande maioria das minhas amigas ainda quer casar de véu e grinalda”.

 

Historicamente, os homens são mais avessos à idéia de usar fraque e esperar a noiva no altar. Com a mudança de comportamento das namoradas, os jovens comemoram a possibilidade de simplificar o processo.

 

“Casamento formal, na igreja, é caído!”, diz o sociólogo André Coelho, 25 anos. “Não descarto a possibilidade se estiver apaixonado e a pessoa quiser muito, mas não acho que seja necessário. Procuro uma mulher que não tenha esse sonho de se casar. É como se a felicidade não pudesse estar dissociada disso. Eu me casaria mais facilmente com alguém que não fizesse esse tipo de pressão”.

 

A estabilidade profissional é outra condição para a formação de uma nova família. “Neste momento estou completamente voltado para o meu trabalho. Acho que só a partir dos 30 anos vou começar a pensar em casamento”, afirma André.

 

FINAL FELIZ

Já Camila Gonçalves, de 28 anos, casou aos 21, feliz da vida, apaixonada e porque realmente queria. “Nós casamos quando tínhamos apenas seis meses de namoro. Não pensamos muito, nos apaixonamos e queríamos casar, ficar juntos para sempre”, conta Camila. Ela já morava sozinha, o que facilitou a vida dos dois. E o casal achou importante, mesmo, formalizar a relação com festa. Animadíssimos, em três meses, resolveram tudo para a comemoração. Hoje, ela com 28 anos, e Guilherme, com 32, já têm dois filhos, um de três e outro de quatro anos.

 

Camila enfrentou críticas na época do casamento. “A maioria das minhas amigas está começando a casar agora. Na época, não reagiram muito bem. Achavam que programa de casado era diferente de programa de solteiro e se afastavam. Mas nós fomos mostrando o contrário: que a gente tinha a mesma vida de antes, só estávamos juntos”, conclui Camila.

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Uma resposta para “Jovens defendem formas alternativas de ‘casamento’

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