Há 46 anos, Luther King fazia discurso histórico

Publicada em 28/08/2008 no Click 21 

Por Cristina Cople

martin 1Há exatos 46 anos, em 28 de agosto de 1963, o ativista negro norte-americano Martin Luther King fazia seu discurso histórico em Washington, capital dos Estados Unidos.

O evento foi parte da chamada ‘Marcha sobre Washington’, onde o pastor reuniu mais de 250 mil pessoas para clamar, discursar, rezar e cantar por liberdade, trabalho, justiça social e pelo fim da segregação racial contra a população negra do país.

2008 também marca os 40 anos de morte do político (assassinado em 1968). Conheça mais sobre a vida deste grande líder estadunidense.

PASTOR

O pastor da Igreja Batista ficou conhecido após liderar uma série de protestos pacíficos contra a prisão de uma mulher negra, Rosa Parks, que se recusou a ceder o lugar no ônibus para uma branca, no período de maior discriminação racial dos Estados Unidos. Depois, ele organizou e liderou marchas a fim de conseguir o direito ao voto, o fim da segregação, o fim das discriminações no trabalho e outros direitos civis básicos.

Luther King era odiado por muitos segregacionistas do Sul, o que culminou martin 2em seu assassinato com um tiro, no dia 4 de abril de 1968, na sacada de um hotel da cidade de Memphis. O maior nome do movimento negro sonhava com o dia em que seus filhos não seriam julgados pela cor da pele, mas pelo seu caráter. Mas será que décadas depois seu sonho se tornou realidade?

‘NUNCA SOFRI PRECONCEITO’

A revista britânica The Economist revelou, em edição de 3 de abril de 2008, que ainda faltam muitos passos para que o objetivo do líder seja alcançado. O editorial lista alguns dos problemas mais comuns: o fracasso da política de cotas; a diferença entre os salários de brancos e de negros; o fato de que os negros são as maiores vítimas da violência urbana, além de serem discriminados até mesmo pelo sobrenome de origem negra quando enviam um currículo para possível empregador.

O webmaster Márcio Vieira, 30 anos, morou nos Estados Unidos por cinco meses em um intercâmbio cultural e diz nunca ter enfrentado discriminação.

“Eu nunca sofri preconceito ou discriminação. Trabalhei em uma estação de esqui na cidade de Big Bear, lidava com o público e era tratado de forma natural. Nem mesmo os chefes do estabelecimento faziam qualquer diferença entre os funcionários. Talvez isso ocorresse porque nos Estados Unidos as pessoas movam processos, corram atrás dos seus direitos, e aqui no Brasil, não”.

‘NÃO HÁ POLÍTICAS PÚBLICAS’

martin 3Apesar das dificuldades, o fato é que as pessoas começam a se conscientizar da necessidade de lutar por seus direitos também no Brasil. O ator Jorge Coutinho, que é presidente do Sindicato dos Artistas de Espetáculos em Diversões do Estado do Rio de Janeiro (Sated-RJ), afirma que os direitos da população negra no Brasil não avançaram muito, mas é preciso continuar batalhando por eles.

“No país, há pelo menos 750 comunidades carentes e não há políticas públicas para os negros. Ninguém nasce bandido. A sociedade é muito orquestrada para que o negro assuma uma posição. Principalmente para os mais jovens, não melhorou nada. A juventude está estudando muito e mesmo assim sente dificuldade em se colocar no mercado de trabalho. Meu filho de 18 anos, por exemplo, faz administração e até conseguiu emprego, mas fica no fundo, não fica na ‘vitrine’!”

A militância política rendeu ao ator o convite para fazer uma participação na novela ‘Duas Caras’. Jorge Coutinho interpretou o pai da personagem Sabrina (Cris Vianna), que antes de aceitar o pedido de casamento de Barretinho (Dudu Azevedo) vivia um conflito inter-racial.

Na televisão, fazer um negro é uma dificuldade. Acho que fui chamado porque eu falava demais que as novelas não têm famílias, o núcleo familiar desapareceu. As pessoas não se sentam mais para conversar ou tomar café juntas. Não há diálogo. Daí fui chamado para fazer um pai de família.”

O ator ressalta que não são só as novelas que têm dedicado pouco espaço para os negros.

“Nas chamadas, da Rede Globo mesmo, não tem mais que dois ou três negros. A Ruth Souza, que é uma excelente atriz e tem contrato com a emissora, não está na chamada (Q de Qualidade). Por quê? Isso não é normal! Nós (atores) temos um dom e se todo mundo fizesse um trabalho social, sem virar festa, seria uma maravilha. Falta seriedade nas televisões. Tem que fazer trabalhos voltados para essas comunidades carentes para conter a violência, a criminalidade. Falta visibilidade para o ator transmitir conteúdo educativo para a comunidade que está ligada nele”.

‘COTAS TÊM DE SER PARA POBRES’

O jovem ator Guilherme Bernard, do SBT, diz ter sido vítima de preconceito martin 4quando era mais novo.

“Na época em que eu estava gravando a minissérie ‘Chiquinha Gonzaga’, eu peguei um ônibus com meu pai para ir ao Projac e me sentei ao lado de uma senhora idosa. Imediatamente, ela agarrou a bolsa e prendeu junto a ela. Quando ia descer eu comentei com o meu pai, mas ele mandou eu ficar quieto, mas as outras pessoas que estavam no ônibus começaram a me reconhecer, inclusive o motorista. Daí ela se deu conta do engano e tentou puxar papo, mas eu já tinha ficado chateado e nem dei chance para ela falar”.

Guilherme também critica o sistema de cotas. “O que significa isso? O negro não tem capacidade de entrar numa universidade ou de pagar a mensalidade? As cotas têm de ser para os pobres e não para os negros. As pessoas têm que ser julgadas pela sua competência e não pela sua cor”.

As idéias de Luther King seguem vivas nas palavras de Guilherme Bernard, mas o caminho é longo…

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