Em entrevista ao Click21, Santoro revela como é atuar em espanhol

Publicada em 13/10/2008 no Click 21

santoro 1Santoro, na entrevista coletiva do filme ‘La Leonera’. Confira galeria completa aqui!

Por Cristina Cople

Rodrigo Santoro é, atualmente, um dos nomes mais difíceis de se entrevistar no Brasil. Bonito, famoso e estrela de alguns dos filmes de maior repercussão do cinema brasileiro, ele também tirou o ano para divulgar os trabalhos que realizou em 2007. Foi assim que, quando a assessora do ator disse que a única oportunidade para entrevistá-lo seria no Festival do Rio, nós, do Click21, saímos em disparada rumo ao local da coletiva do filme ‘La Leonera’.

Grata surpresa ver que toda a aura de superstar montada em torno dele não dura nem cinco minutos após sua chegada para a série de entrevistas, que contou com mais de dez veículos de imprensa. Rodrigo Santoro chegou sozinho, sem seguranças, de óculos escuros, cumprimentando as pessoas que já o esperavam e sorrindo amigavelmente.

Primeiro, ele posou para as fotos ao lado do diretor argentino Pablo Trapero e da atriz Martina Gusman. Depois, começam as entrevistas de meia hora com cada jornalista. A rotina é exaustiva, mas para Rodrigo não tem tempo ruim. Ele adora estar no país.

PAIXÃO PELO BRASIL

“Eu moro aqui! Moro aqui (repete)! Minha única casa é aqui, no Rio de Janeiro. Eu viajo, vivo essas aventuras todas e volto pra cá”, afirma Rodrigo.

“Toda vez que eu venho para o país tenho vontade de ficar. Surfei pra caramba, fiz ioga, joguei bola, vi meus amigos, vi a família e até sinuca outro dia eu joguei, na festa do filme ‘Feliz Natal’, do Selton (Mello). Passei a noite com amigos conversando e jogando sinuca”.

A temporada mais longa, de um mês, também foi de muito trabalho. Rodrigo está divulgando seu primeiro filme de língua espanhola a chegar no Brasil.

“Esse filme (‘La Leonera’) foi uma experiência muito nova pra mim porque nunca tinha filmado na Argentina e tinha acabado de filmar ‘Tche’. Apareceu no meio de uma troca de locação. Tinha terminado de filmar em Porto Rico e depois ia para o México, então eu estava falando a mesma língua. Ainda estou aprendendo espanhol, estou trabalhando nisso. Parece próximo do português, mas tem detalhes diferentes, pronomes, gramática, vocabulário. Um dia eu ouvi um cara dizendo que a comida estava ‘esquisitíssima’. Pensei, poxa, isso não se fala… mas ele queria dizer que estava gostosa! Coisas assim não tem nada a ver com o português e podem acabar numa situação engraçada”.

‘Desafio é fundamental’, diz Rodrigo Santoro

santoro 2Santoro, com o diretor Pablo Trapero e atriz Martina Guzmán. Foto: Claudia Elias.

Por falar em comida e bebida, a organização do evento não deixava faltar petiscos e bebidas para não estressar as estrelas submetidas ao turbilhão de perguntas. Mas, que estrelas? Rodrigo nem ligou para a bandeja com filezinhos fumegantes postada bem ao lado. Concentrado, ele queria fazer seu trabalho de forma impecável e seguiu falando sobre o filme.

Além do espanhol, Rodrigo Santoro faz questão de frisar que gosta mesmo de novidades e desafios.

“Desafio é fundamental sempre. Se não tiver esse frio na barriga, este desconhecido, esta busca, esta pesquisa, não consigo ver muito sentido. Pra mim isso é importante, não estou dando fórmula, estou dando a minha experiência”.

“Desafio pode ser qualquer coisa: a aventura de interpretar em outro idioma, um personagem que tem poucos momentos. O Pablo tinha me falado que o Ramiro é um personagem que aparece pouco, vai pontuar a trama, mas é fundamental para a história, pois toda vez que aparecer vai contar muita coisa. Eu tinha que trabalhar com detalhe, com sutileza, com o que não está sendo visto, mas está sendo sentido. Tudo isso me pareceu como um desafio”.

TALENTO MADE IN BRASIL

Rodrigo não gosta de que as pessoas o vejam como um ícone brasileiro no exterior. A vaidade é controlada pela vontade de aprender.

“Eu sou brasileiro. Sinto o carinho das pessoas e, às vezes, cobrança também. Procuro não carregar na tinta, não achar que isso é uma responsabilidade. Se de alguma forma estiver fazendo isso (representar o Brasil) que seja uma coisa positiva, um prazer, uma coisa boa”.

“Outro dia, eu estava lendo uma reportagem sobre o ‘Tche’ que listava todos os atores que já interpretaram nesses filmes. Deu uma volta enorme e quando chegou ao Brasil não pulou. Tinha lá um brasileiro; o único brasileiro que falava espanhol de verdade era eu. Eu achei bacana. Nesse sentido, achei bonito e me senti bem. Não vou ser hipócrita e dizer que não estou nem aí. Tenho que me concentrar no trabalho que eu vou fazer. Se esse reconhecimento acontecer de uma forma positiva me sinto honrado”.

UM MÊS NA ARGENTINA

Rodrigo se sentiu em casa ao chegar a Buenos Aires. “O que soma é a própria experiência, o fato de ter trabalhado com o Pablo (Trapero). Fiquei muito arrebatado pelo trabalho dele – cinema inteligente, com profundidade, personagens bem humanos”.

“Eu cheguei muito em cima da hora, não tive tempo de me preparar; era um idioma que eu não domino. Todas essas coisas tinham tudo para me deixar inseguro, mas o Pablo me deixou muito à vontade. Me ajudou muito. Não precisou mais de três minutos para eu me lembrar do ‘Bicho de Sete Cabeças’. A equipe era uma família, uma estrutura pequena onde todo mundo está absolutamente atento a tudo que não tem dispersão, só descontração. Todo mundo se conhece e está ali suando para fazer aquilo. É a paixão de contar a história que move tudo isso. Por isso foi muito prazeroso e me senti bem acolhido e por esse ambiente. Me ajudou a quebrar os outros obstáculos”. 

Santoro está empolgado com a cultura hispânica

santoro 3Martina Gusmán é a protagonista do filme argentino ‘La Leonera’. Foto: Claudia Elias.

Rodrigo Santoro revela um traço curioso de sua personalidade, apesar do jeito sério, faz amizades com facilidade.

“Eles são pessoas que eu gosto muito e já estive na Argentina de novo. Estou tentando me vender para o próximo filme dele (diretor Pablo Trapero). Fora o futebol, a gente concorda em um monte de coisa!”

Apesar da empolgação do ator com a língua e a cultura hispânica, Rodrigo Santoro garante que está sempre direcionando seu trabalho para o Brasil.

“‘La Leonera’ é o primeiro filme na língua espanhola. ‘Tche’ está vindo também, mas o trabalho sempre esteve dividido. Este ano estreou ‘Os Desafinados’, antes foi o ‘Não por Acaso’ e o próximo é o ‘Heleno’, sobre Heleno de Freitas. Tenho passado muito tempo viajando, mas os projetos aqui não deixaram de existir. Eu continuo filmando aqui também”.

‘CARANDIRU’ E ‘LA LEONERA’

O diretor Pablo Trapero convidou Rodrigo Santoro para interpretar Ramiro, um dos vértices de um triângulo amoroso, depois de assistir a ‘Carandiru’. No filme argentino, o personagem também acaba preso. Rodrigo usou a experiência em seu favor.

“A energia do presídio é pesada e tem um cheiro… nunca me esqueço do cheiro desses lugares. Fica muito impresso. A energia desses ambientes fica impressa nas paredes. É uma atmosfera pesada e isso acaba servindo de alimento para o personagem que está ali encarcerado, como é o caso do Ramiro, da Julia, da Lady Di, estar encarcerado é uma situação de confinamento que influencia muitas coisas, a pessoa não é da mesma forma que seria se estivesse livre”, afirma.

Em tom irônico, Rodrigo reafirma o desejo de ver mais produções saírem do papel.

“O otimismo talvez seja a coisa mais importante para o cinema. No caso de ‘Heleno’, o roteiro já está pronto. Agora estamos na fase final de captação. Tenho dois projetos para o Brasil, mas são muito embrionários, e algumas coisas fora. Máximo que você faz é ser muito otimista, trabalhar muito e deixar o resto para o universo”.

BYE, BYE, BRASIL!

Esta semana, Rodrigo Santoro volta a colocar o pé na estrada. Ele segue para os Estados Unidos e depois para a Europa para divulgar o filme ‘Tche’.

“Este ano tenho só viajado com os filmes. É um trabalho muito interessante, porque você também passa a refletir sobre o que foi feito. Também gosto de ver várias vezes o mesmo filme, porque vou maturando, digerindo a história. Dedicar este ano à divulgação foi natural, não foi intencional. Outra coisa boa é que você tem contato com a reação das pessoas”.

Com o tempo esgotado, a entrevista chega ao fim. Na despedida, o ator relaxa, manda seu sorriso mais cativante e revela: “agora eu vou comer!”

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