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Ricardo Macchi fala sobre o Cigano Igor e sua nova fase na televisão

Publicada em 22/05/2008 no Click 21

Foto: Divulgação / Rede Record

Por Cristina Cople

ricardo 1O gaúcho Ricardo Macchi está de volta às novelas como o gigante Golias, de Caminhos do Coração, da Rede Record. Este é o segundo papel do ator na emissora que anda tirando o sono da concorrência. Ricardo está otimista com a oportunidade e quer continuar seu caminho na TV.

“Estou adorando, é muito divertido. Estou vivendo uma fase muito boa! Hoje, com mais experiência, atuar é como brincar na TV. Eu fiz toda a caracterização do Golias, apresentei para o Alexandre Avanccini (diretor) e ele achou legal, deu toques só no visual. A composição foi toda minha”. Ricardo conta que se inspirou no filme ‘Liga Extraordinária’ e também nos vilões do cinema.

‘FUI MASSACRADO’

O ator diz que nunca esteve tão bem ao pensar na própria carreira. “Estou com a auto-estima em alta. Agora eu estou bem, mas sou o mesmo de 13 anos atrás (quando interpretou o cigano Igor, de ‘Explode Coração’). O que aconteceu na época foi resultado da pressa da mídia em enxergar o clichê. O talento é o mesmo, só aprendi os macetes da televisão. Com a auto-estima alta você aperfeiçoa algumas coisas e consegue até criar”.

Ricardo Macchi não foge do assunto e nem se importa de comentar sobre o trabalho que o deixou nacionalmente conhecido pela deficiência na atuação. “Sou um grande guerreiro, meus amigos dizem até que sou um tipo suicida! Entrei sozinho no meio artístico e fui jogado às feras, mas ainda estou trabalhando. Fui massacrado, ridicularizado, criticado e não reagi. Desculpem se não foi bom, estou fazendo o que a vida me encaminhou”.

CARREIRA

A coisas aconteceram quase por acaso da vida do ator. Aos 16 anos, ele estava correndo em um parque de Porto Alegre quando um agente o convidou para fazer um comercial. Aos 17, se mudou para São Paulo, onde trabalhou como modelo. A carreira evoluiu rapidamente e Ricardo Macchi foi trabalhar no exterior. Na época em que foi escolhido para protagonizar ‘Explode Coração’, ele já atuava no teatro. Estreou no teatro em 1991 no musical ‘Blue Jeans’, dirigido por Wolf Maia. Também participou da montagem de ‘Hair’ em 1993, dirigido por Jorge Fernando, participou da peça ‘Deu Broadway na Cabeça’, 1999/2000, dirigida por Cininha de Paula e em 2002, protagonizou a peça ‘Jeffrey – De Caso com a Vida’, com direção de Gilberto Gawronski.

Ricardo Macchi morava na Itália e veio de férias para o Brasil quando surgiu a oportunidade de fazer um teste de vídeo na Rede Globo. O ator foi aprovado pelo próprio diretor da novela e decidiu se arriscar.

“Eu era um ator estreante protagonizando uma novela das 20h sem fazer uma única participação na TV. Para mim, aquilo foi maravilhoso. Eu amo esse personagem, mas sei qual é a realidade. De qualquer forma, ninguém tem este historico e isso é ótimo para mim. Não preciso falar nada, provar nada para ninguém. Tive três contratos com a Rede Globo, depois fui para o SBT e agora a Record. Tudo isso sem empresário, sem estratégia, sem embasamento político”, diz.

“Hoje busco ter a consciência limpa para alcançar minha realização. Sou muito feliz por ter meu histórico. É tudo digno na minha vida. Nunca participei de rodinhas. Sou atípico e o resultado é esse: ser massacrado, criticado. Eu fico triste porque as pessoas não me conhecem como ser humano. Acham que sou fútil, bossal. Durante muito tempo me preocupei com o Brasil mais do que comigo mesmo”.

LADO SOCIAL

Ricardo Macchi se descreve como um militante pró-Brasil. “Quero colocar coisas construtivas para a educação, para a cultura do país”, afirma ele. Pararicardo 2 conseguir tal feito, ele colocou a mão na massa. Criou a produtora Wortex e com o dinheiro do próprio bolso bancou uma série de 27 documentários sobre educação ambiental.

Os temas são variados: Amazônia, mata-atlântica, mangue etc. Depois, o trabalho foi conseguir patrocínio. Este ano, os documentários foram avaliados pelo Ministério do Meio Ambiente e o MEC.

A ministra Marina Silva achou que os filmes se encaixam com que o governo tem como diretriz e considera a possibilidade de distribuí-los junto com uma cartilha para cinco milhões de estudantes da rede pública. Em agosto, Macchi estará no Festival de Gramado.

“Sou brasileiro, trabalhador, honesto. Os frutos do trabalho de tantos anos podem demorar para serem colhidos, mas vêm. É uma analogia com a minha carreira. O que sofri nesses 13 anos… se tudo o que disseram fosse verdade eu não existiria mais no mercado. É preciso ter muita paciência….”